Poluição Plastico no Oceano Antartico

A poluição plástica chegou aonde ninguém pensava que chegaria: o Oceano Antártico é considerado uma região selvagem, quase “intocada”, mas a ameaça plástica não encontra barreiras

A poluição marinha por detritos plásticos parece não encontrar fronteiras. Nem mesmo os lugares considerados “intocados” estão a salvo. Um novo estudo divulgado por cientistas da Universidade de Hull e do Serviço Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês) revelou níveis de poluição por microplásticos no Oceano Antártico cinco vezes maiores do que se esperaria encontrar a partir de fontes locais, como estações de pesquisa e navios.
Representando 5,4% dos oceanos do mundo, o Oceano Antártico é considerado uma região selvagem, quase prístina, em comparação com outras regiões e, por isso, os cientistas pensavam que ele estaria relativamente livre desse tipo de poluição. Os resultados, publicados na revista científica Science of the Total Environment, levantam a possibilidade de que o plástico proveniente de fora da região seja capaz de atravessar a poderosa corrente circumpolar antártica, historicamente considerada impenetrável.
A poluição oceânica por plástico tem consequências danosas para os animais. Muitos podem morrer asfixiados ou por ingestão de fragmentos maiores, ao passo que as micropartículas acabam se acumulando e contaminando a cadeia alimentar marinha. Os autores do estudo alertam para a necessidade de se reforçar as legislações marítimas na região e para um maior esforço internacional no monitoramento e controle da ameaça plástica nos oceanos.